É muita firula
Existe mais de um modo de dizer a mesma coisa. Uma mensagem pode ser transmitida por parábola, como fazia Jesus, ou pode ser dita diretamente, sem rodeios e sem adornos. É possível dizer que alguém "bateu as botas", "foi para a cidade do pé junto" ou usar outra expressão popular para dizer que o indivíduo morreu.
Da mesma forma, é possível dizer simplesmente que alguém não vai morar com Deus, em vez de usar termos rebuscados para explicar que a pessoa será condenada à morte eterna. No entanto, para tornar o discurso esteticamente agradável, os modernos escribas criam firulas, amaciando uma realidade que poderia soar muito rude para aqueles que os seguem.
No afã de se promoverem, realizam um verdadeiro contorcionismo para explicar o inexplicável, deixando o indouto ainda mais confuso do que já é. Não foi sem razão que Jesus advertiu: “Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes os que entravam” (Lucas 11:52). E também: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o Reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando” (Mateus 23:13).
Esses líderes criam sofismas que, em vez de simplificar o entendimento do tema para o homem comum, acabam por confundi-lo. O pior é que essa firula não é gratuita. Normalmente, ela chega muito bem embalada e a um custo que o trabalhador da classe operária — que representa a maioria no meio religioso tido como cristão — simplesmente não pode pagar.
Assim, em vez de ajudar o indouto a entrar no Reino dos Céus, esse comportamento acaba por impedi-lo. Chega de firula, senhores escribas! Vão direto ao ponto, se é que vocês sabem o que estão dizendo. Caso contrário, isso lhes custará caro, já que àquele a quem muito é dado, muito mais será cobrado.
Guarulhos-Sp, 17/10/2026
Oli Prestes
Missionário
oliprest
Enviado por oliprest em 17/10/2026
Alterado em 23/10/2026